9 Passos para ser mais emocionalmente inteligente

March 24, 2020

 

Nesta fase das nossas vidas, COVID-19, vivemos com as nossas emoções à flor da pele. Em determinado momento a mais pequena coisa provoca em nós explosões que numa situação, dita normal, não aconteceria.

Para uns tudo está a correr bem, para outros nem tanto, mas uma coisa sabemos, a fase de, digamos lua de mel, está a terminar e temos de continuar confinados, isolados ou pelo menos protegidos para que não tenhamos dissabores.

 

Por essa razão senti que poderia ser interessante e até útil, partilhar convosco algumas ideias sobre como nos tornamos mais inteligentes a nível emocional. Não sou especialista nesta matéria, mas penso que com o que tenho lido, com o que tenho tido a oportunidade de partilhar com outras pessoas conseguirei dar algumas pistas interessantes.

 

Serão apenas 9 passos!

 

Todos temos diferentes personalidades, diferentes vontades e necessidades, diferentes experiências que nos moldam e nos fazem reagir e gerir perante determinadas situações.

Se alguém interrompe outro, durante uma conversa, porque está excitado com uma ideia que teve, o outro pode ficar furioso, mas uma outra pessoa poderá ficar igualmente excitado e explora ainda mais essa ideia, mas uma outra pessoa poderá ficar ainda mais calada porque não foi respeitada.

 

É nestes momentos que a Inteligência Emocional é muito importante.

Cada emoção sentida por uma pessoa tem, em si, informação valiosa sobre as preferências, necessidades e experiências dessa pessoa. Porém muitas das vezes essas emoções estão escondidas ou são trancadas dentro de nós.

 

Numa sociedade a palavra, o pensamento e o sentimento é constantemente sobreposto, torna-se muito difícil prestar atenção às nossas emoções e às das outras pessoas. Mas se não prestamos atenção, perdemos informação valiosa que nos poderia ensinar em como nos relacionar e o impacto na construção dessa relação.

 

O que é então Inteligência Emocional (IE)?

Se me permitem torno simples a resposta a esta pergunta. IE é uma forma de nos socializarmos.

 

Alguém que tenha uma elevada IE está melhor capacitado para reconhecer os seus e dos outros, sentimentos e emoções, para os gerir, e usar a informação conseguindo uma melhor resposta sobre o que se pensa e como se age.

 

Ter elevada IE permite reconhecer as peças emocionais que faltam sobre o que na verdade o outro está a dizer. Deste modo quem a tem consegue usar essa informação emocional de uma forma eficaz, tornando-se desse modo um melhor gestor, um melhor colega, um melhor amigo.

A parte boa e simples disto tudo é que independentemente da sua personalidade e das suas tendências emocionais, há coisas que pode fazer para aumentar a sua IE.

 

Para que se compreenda melhor como, partilho os 9 passos.

 

1. Observe as suas características emocionais.

As pessoas que têm inteligência emocional, não só têm percepção das emoções dos outros, como também se conhecem tão bem que conseguem compreender, gerir e expressar bem os seus sentimentos. Só conseguimos gerir as nossas emoções se em primeiro lugar aprendemos a reconhecê-las.

É mais fácil dizer do que fazer, é verdade. Comece por prestar atenção aos sinais que o seu corpo lhe vai dando nas diferentes situações que for vivendo.

Qual o seu estado emocional quando acorda, o que sente quando aquela pessoa lhe passa à frente no café, ou demora mais tempo a arrancar no sinal verde? Ou quando marcou uma reunião e o seu cliente ou mesmo colega chega atrasado?

Como se sente quando a sua ideia é recusada à frente de toda a sua equipa?

 

Depois pergunte-se de que forma é que esses sentimentos estão ligados ao seu comportamento. Durante o dia impactaram no seu estilo de comunicar com os outros? A sua produtividade foi igual? Quanto mais e melhor reconhecer e compreender as suas emoções, os seus impulsos, melhor consegue geri-los.

 

2. Não se julgue.

Quanto maior consciência tiver das suas emoções, poderá passar a fazer um maior julgamento de si próprio, principalmente se a experiência que tiver da emoção for menos positiva, por exemplo se tiver um episódio de maior confronto ou de conflito com alguém.

Lembre-se, a emoção que sentiu, positiva ou negativa, é uma peça fundamental de informação para o ensinar sobre o que realmente necessita e quais as suas preferências.

Se fizer um julgamento sobre o que sente, passará a ter grande dificuldade em ser honesto consigo sobre o que sente, o que será totalmente contraproducente.

Permita-se a sentir as emoções em primeiro lugar, desta maneira estará apto para as gerir e reconhecer nos outros.

 

3. Aprenda a controlar as suas emoções “negativas”.

Gerir de forma eficaz as suas emoções é um passo importante para o seu crescimento como pessoa emocionalmente inteligente. Contudo o lado mais difícil disto é gerir as emoções negativas. A importância de o conseguir fazer prende-se com a capacidade que tem em evitar que sentimentos negativos toldem a sua capacidade de julgar. Desta forma terá melhor capacidade de tomar decisões porque estará apto em olhar para o problema e encontrar uma solução de forma calma e racional. Irá também torná-lo mais receptivo ao feedback e usar a crítica com um instrumento de melhoria da sua performance.

O processo é deixar-se sentir essas emoções negativas e decidir quando e como é que as vai viver ao senti-las.

Por exemplo, imagine que vai no seu carro de regresso a casa e alguém lhe faz uma razia num cruzamento. É natural que a sua primeira reacção seja um susto e depois ficar com raiva. Nesse momento tem uma escolha a fazer: pode buzinar, abrir a janela e gritar “quem é que julgas que és oh … “ ou então pode respirar fundo e deixar passar, porque sejamos honestos os poucos segundos que aquela pessoa o fez perder em nada afectam o seu dia.

 

Lembre-se, a forma como reage às situações é de sua responsabilidade. Se alguém magoa os seus sentimentos e você reage gritando, então esse é o resultado que terá, gritos. Somos nós que escolhemos se controlamos as nossas emoções, não os outros. Da próxima vez que sentir uma emoção negativa, pare por uns segundos, sinta-a e deixe que ela desaparece dentro de si. Depois respire fundo e actue de forma consciente sobre o tipo de resposta que quer dar.

 

4. Aprenda a partilhar momentos difíceis quando necessário.

Ser-se emocionalmente inteligente é saber quando se deve partilhar as nossas emoções com os outros. Afinal de contas ser-se honesto com os outros sobre o que sentimos reforça a confiança e faz com que as pessoas se sintam mais confortáveis em partilhar coisas connosco.

Tem tudo a ver com escolher o momento, partilhando como se sente sem magoar ou faltar ao respeito para com o outro

 
5. Mostre interesse genuíno no que o outro lhe está a dizer.

Da mesma maneira que tem total consciência de como se está a sentir, comece a praticar o reconhecimento de como o outro se sente. Por outras palavras, pratique a empatia.

Ser empático é a forma, mais forte, para se ser emocionalmente inteligente, e além, de tudo ajuda-o a ficar mais ligado, perto, dos outros. Poderá contar mais com o outro e a gerir de forma muito mais tranquila qualquer tipo de conflito.

A melhor maneira de perceber como o outro se sente é tornar-se um verdadeiro ouvinte, ou seja, estar totalmente focado, centrado e atento ao que o outro lhe diz. Para muitos é difícil ter este tipo de comportamento, seja porque não temos tempo ou porque por e simplesmente não estamos para isso. Puro egoísmo, afinal é mais fácil falar do que ouvir.

Para o conseguir fazer tem de perceber quais as suas competências de ouvinte, “é por natureza um bom ouvinte? Ou tende a estar constantemente a pensar no que vai dizer enquanto o outro fala?” A maioria das pessoas não tem consciência de que não é boa ouvinte até fazer um exame de consciência.

Assuma que vai escutar o outro, foque-se nele, observe-o, esteja genuinamente focado nele. Vai ver como é maravilhoso para ambos.

 
6. Faça perguntas interessantes.

Muitas vezes tudo o que temos de fazer são perguntas. Esteja atento ao que lhe é dito e faça perguntas interessantes, que clarifiquem o que o outro lhe está a dizer de forma a demonstrar que está a prestar atenção ao que lhe está a ser dito. Não só mostra interesse como consegue ir mais fundo naquilo que ele lhe está a dizer.

Por vezes ir mais fundo permite-nos conhecer melhor os sentimentos, os problemas, as expectativas dos outros e dessa forma responder melhor às suas necessidades, faz também com que nos conheçamos melhor e nos sintamos mais confiantes nas relações.

 

7. Preste atenção à comunicação não verbal.

Comunicação não verbal ou corporal é outra maneira de compreender como nos sentimos e como o outro se sente. Postura, expressão facial, movimentos corporais são algumas das formas que expressam o nosso estado emocional.

Quando falamos com alguém repare na expressão corporal, nos movimentos, os seus e os do outro. Irá muitas vezes concluir que houve momentos em que leu insatisfação, reserva, raiva, tensão e nesse momento tem de se perguntar, “o que foi dito ou feito que tenha provocado este sentimento?”.

Nessa altura irá tomar consciência nas emoções, como é que elas se manifestam numa lógica psicológica. Por exemplo esse aperto no peito pode ser reflexo de stress ou ansiedade. Esses picos de energia poderão indicar que está excitado por uma razão qualquer.

Há um conjunto de sinais do corpo que lhe dão avisos de como se está a assentir, aprenda a reconhecê-los.

 

8. Assuma a responsabilidades dos seus actos.

A humildade, como a empatia é um factor importante em ser emocionalmente inteligente e a chave para ser humilde é assumir a responsabilidade quando magoa os sentimentos de alguém. Há pessoas que poderão pensar que reconhecer que se esteve menos bem, que se magoou alguém e assumi-lo, pode ser visto como fraqueza ou falta de auto-confiança.

Assumir a responsabilidade pelas nossas acções, ter a coragem de mostrar que estivemos menos bem mostra aos outros o quanto somos preocupados, honestos, verdadeiros e comprometidos em trabalhar em equipa com total transparência. Mais ainda, as pessoas que sentirem isso estão mais predispostas a perdoar e a esquecer. Irão ver o impacto que esta atitude terá na vossa vida.

 

9. Tenha uma mente aberta.
Sem querer ter ou fazer qualquer tipo de juízo de valor, diz-se que ao se ter uma mente limitada estamos presente um indicador de um baixo nível de inteligência emocional. Pensem comigo, alguém com mente aberta estará mais disponível para ouvir os outros, os seus pontos de vista, a tentar compreender colocando-se no lugar do outro. Resultado? Os outros irão confiar mais as suas ideias, os seus sentimentos porque sabem que não estão a ser “julgados”.
Outro ponto fantástico é que as pessoas com uma mente aberta têm um sentido mais apurado e forte em “servir” porque não centrados em si ou nas suas crenças, mas sim nos outros e nas suas necessidades.
 

Pratiquem ter uma mente aberta. Como?

Observem, vejam como os outros reagem a determinada situação e comparem com qual seria a vossa reacção nessa mesma situação. Se a reacção for diferente pense porque razão será e tente perceber o que levou o outro a sentir dessa forma.

 

Este momento de recolhimento pode ser um momento de enorme bondade e crescimento individual. Tomar consciência do que podemos fazer pelo outro, o como podemos fazer e fazê-lo com verdade é tornar o nosso futuro melhor, mais solidário.

Torne-se melhor na gestão das suas emoções, torne-se melhor na gestão das relações dos outros, verá que os benefícios que colherá serão percetíveis na sua vida profissional e pessoal.

Obrigado!

 

Ambiente Positivo, “It’s all about You!”

 

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